06/03/2026 - Família denuncia bullying contra aluno em escola pública de Fortaleza
Os alunos que obrigaram um colega, de 16 anos, a comer sete pedaços de bolo, em Fortaleza, foram transferidos de escola, confirmou a Secretaria da Educação do Ceará (Seduc) nesta sexta-feira (6). O jovem sofre de uma doença rara, que faz com que ele tenha dificuldade no aprendizado e ganhe peso com facilidade.
"As famílias dos estudantes envolvidos na agressão solicitaram transferências e foram atendidas", confirmou a Seduc, em nota. A Pasta também garantiu que "a vítima e a família foram atendidas em procedimento que envolve acolhimento, escuta e mediação, com suporte psicológico"
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O adolescente forçado por um grupo de colegas a comer ao menos sete pedaços de bolo, dentro de uma escola em Fortaleza, convive com uma síndrome rara que causa fome insaciável, atraso no desenvolvimento e alterações hormonais: a Síndrome de Prader-Willi (SPW).
O caso ocorreu em uma escola estadual no Bairro Dom Lustosa, na capital, no último dia 26 de fevereiro. O jovem de 16 anos também foi filmado enquanto usava o banheiro do colégio. A Secretaria da Educação repudiou o ato e disse que prestou apoio à família da vítima (relembre o caso abaixo).
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Mas o que é a Síndrome de Prader-Willi (SPW)? A condição é a mesma que afeta uma criança de 2 anos no Acre. Melinda Paulo Lima Machado pesa 15 quilos, o que é considerado acima da média para a idade, e precisa de acompanhamento médico multidisciplinar. Abaixo, entenda o que é a síndrome rara.
Síndrome de Prader-Willi
A SPW é causada por uma alteração genética no cromossomo 15, geralmente por uma perda de material genético herdado do pai. Essa falha afeta o funcionamento de áreas do cérebro responsáveis por regular o apetite, o crescimento, o tônus muscular e o desenvolvimento físico e cognitivo.
De acordo com a Associação Brasileira da Síndrome de Prader-Willi, a condição afeta 1 a cada 15 mil nascimentos de forma aleatória e, raramente, recorre na mesma família.
Em termos gerais:
A SPW causa: alteração genética no cromossomo 15 (origem paterna);
Tem como sintomas principais: fraqueza muscular (hipotonia), atraso motor e cognitivo, fome insaciável, ganho de peso precoce;
O diagnóstico: ocorre por teste genético (metilação do DNA).
Infográfico: síndrome de Prader-Willi (SPW) afeta 1 a cada 15 mil nascimentos
g1
Ainda de acordo com a Associação Brasileira de Síndrome de Prader-Willi, outras características que demandam atenção são:
Atraso no desenvolvimento neuromotor
Dificuldade na articulação de palavras
Problemas de aprendizagem
Constante sensação de fome
Interesse compulsivo por comida (hiperfagia)
Obesidade
Baixa estatura
Mãos e pés pequenos
Pele mais clara que a dos pais
Boca pequena com lábio superior fino
Fronte estreita e olhos amendoados
Inatividade
Diminuição da sensibilidade à dor
Possível estrabismo
As intervenções precoces são de extrema importância para evitar obesidade e os problemas de saúde associados, tais como diabetes, hipertensão arterial e problemas respiratórios - as principais causas de morte dos indivíduos com a SPW.
A Associação que acompanha a doença afirma que o tratamento com hormônio do crescimento (GH) é a terapia mais eficaz: "Já foi atestado que, quanto mais cedo ela for iniciada, maior é o ganho na vida dos indivíduos com a SPW".
O adolescente obrigado a comer várias fatias de bolo em um episódio de bullying no CAIC Raimundo Gomes de Carvalho, em Fortaleza, foi diagnosticado com a síndrome quando era criança, informaram familiares ao g1.
Família denuncia episódios de bullying em escola pública de Fortaleza contra adolescente com síndrome.
Instagram/ Reprodução
Medidas tomadas
A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS) informou que o Grupo de Segurança Escolar (GSE), vinculado ao Comando de Proteção e Apoio às Comunidades (Copac), da Polícia Militar, enviou uma de suas equipes até a escola logo que tomou conhecimento da situação de bullying.
As circunstâncias do caso serão investigadas pela Polícia Civil, que reforçou a importância de familiares da vítima comparecerem a uma unidade policial para repassarem mais informações sobre o ocorrido.
Já a Secretaria da Educação afirmou que a Superintendência das Escolas Estaduais de Fortaleza (Sefor), desde o primeiro momento do caso, adotou "as providências necessárias no sentido de sensibilizar todas as turmas sobre o bullying".
"Na manhã da sexta-feira (27), uma equipe da escola reuniu os estudantes para tratar sobre o ocorrido. A vítima e a família foram atendidas também, em procedimento que envolve acolhimento, escuta e mediação, com disponibilização do suporte psicológico", garantiu a Seduc.
Ainda segundo a Pasta, "os alunos envolvidos na agressão foram convocados com seus respectivos responsáveis para deixá-los cientes do que aconteceu e suas possíveis consequências escolares e legais, levando em consideração o regimento da escola".
A Secretaria reforçou que a comunidade docente fortalecerá ações envolvendo a temática do bullying durante todo o ano letivo e que a escola segue contando com o suporte psicológico da Sefor, reforçando o acompanhamento e o acolhimento aos estudantes e profissionais.
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